Alzheimer 14/07/2016

Não há como negar o que o Fabiano Moulin relata neste vídeo: cada um de nós conhece alguém que tem, teve ou terá a doença de Alzheimer (DA). Por que tanta gente sofrendo da mesma desgraça? DA poderia ser a sigla de desgraça de Alzheimer. Esta descrição chega mais perto da vida infernal que os familiares das vítimas têm que enfrentar.

Eu sou muito curiosa, quero entender como isso acontece, e as razões expostas por Fabiano fazem sentido. Pela primeira vez observei um ponto de vista nunca antes cogitado: uma doença social e cultural. Para mim isso claramente se traduz em infelicidade. Fazer o que te faz feliz, você pode argumentar, nem sempre é uma opção ofertada a todo mundo, mas sabemos que as mais árduas batalhas pessoais podem ser lapidadas com momentos de iluminação e isso cabe a cada um descobrir. O fator genético, puramente, como a mídia aborda não me convence, mais depois de estudar o poder da epigenética, aprendi que há muito mais fatores que podemos usar a nosso favor do que imaginamos. Vamos ao que me proponho a explorar: nutrição, biologia. Como a doença de Alzheimer domina o corpo e o altera a ponto de chegar num estado tão deplorável que vemos num paciente de AD em estágio avançado? É este aspecto biológico que vamos explorar neste artigo.

Baseado no artigo publicado na Revista Bem Estar – Well Being Journal, edição Janeiro e Fevereiro 2016, escrito por Amy Berger, cientista e terapeuta nutricional, entendo que remédios não estão dando conta do recado. Algumas drogas, aliás, estão se mostrando mais maléficas do que benéficas, fazendo os sintomas piorarem. Qual esperança resta como tratamento? Descobrir a fonte do problema biológico é imperativo. Temos que nos educar a respeito para saber em que direção correr.

Há uma vasta quantidade de literatura médica científica resultante de pesquisas que confirmam que AD resulta de uma anormalidade metabólica fora do cérebro. Isso quer dizer que AD não começa na cabeça! E começa muito tempo antes dos sintomas aparecerem. A doença afeta todo o corpo, mas a maioria dos médicos não estão preparados para ler e/ou entender os sinais até que o dano ao cérebro é tão profundo, que causa declínio cognitivo a ponto de interferir  na normalidade do dia a dia do indivíduo. De repente os familiares percebem que a vítima não consegue mais viver independentemente e aí eles são engolidos juntos neste furacão de tormento que é a DA. Isso é um assunto muito sério!

As pesquisas são claras e não há equívoco: AD acontece quando o cérebro não consegue usar apropriadamente a glicose como combustível.

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E agora? (você deveria estar se perguntando) Por que isso acontece? Vamos lá, e só pra reforçar: A conexão entre o processamento da glicose, a produção de insulina e Alzheimer é tão forte, que muitos estudiosos estão se referindo atualmente à Doença de Alzheimer como “diabetes cerebral” ou “diabetes tipo 3”. Embora diabetes tipo 2 e DA são parentes na origem, diabetes 2 não leva necessariamente à DA ou vice-versa.

Síndrome Metabólica e o Papel da Dietas Modernas.

Desde a década de 60 temos sido condicionados a temer gorduras saturadas. O mito do colesterol levou meio século para começar a ser desmentido e sobreviveu tempo o suficiente para resultar em uma dieta moderna industrializada desprovida de gorduras, extremamente importantes para nós e carregada de carboidratos prejudiciais. A pouca gordura que passou a ser recomendada, foram os azeites vegetais, tais como de soja e milho, cheios de ácidos graxos poli-insaturados que facilmente se oxidam. Além disso, a dieta moderna é  pobre em vegetais ricos com antioxidantes e fitonutrientes que nossos ancestrais saudáveis e fortes consumiam. Esta dieta pobre está ligada diretamente às condições degenerativas da civilização moderna: obesidade, doença cardíaca, acne, visão prejudicada, ovários policísticos, câncer, DA, etc.

O cérebro é um órgão extremamente  faminto. Embora pese apenas 2% da nossa corpo, ele consome 20% da glicose e oxigênio que ingerimos. Portanto, qualquer impedimento ou dificuldade em processar a glicose, obviamente resultará em problema para o cérebro e suas funções, tais como, memória, emoções, comportamento e capacidade cognitiva.

A síndrome metabólica é a peça chave na compreensão da DA. Ela é decorrente da dificuldade do corpo em lidar com carboidratdos. O organismo da pessoa com síndrome metabólica reage com níveis muito altos de glicose no sangue ou insulina  após o consumo de carboidrato e/ou açúcar. Tudo sai do equilíbrio, a partículas LDL, conhecidas como colesterol ruim (que de ruim não tem nada, mas vamos deixar isso pra outra hora), a pressão sanguínea e os triglicerídeos. Tão fácil resolver este problema –  reduzir bastante o consumo de carboidratos. Bastante mesmo!!!  O stress e falta de sono também ajudam a piorar tudo e acaba resultando num total desarranjo metabólico que prejudica a entrega da glicose para o cérebro. Resumindo, a disfunção cognitiva (efeito fora da casinha, lelé da cuca, maluquete) pode se dizer, é resultado da intolerância ao carboidrato. O que?? Eu já ouvi falar em intolerância à lactose, ao glúten, agora vem essa de intolerância ao carboidrato? sai fora!  Fica comigo, vou tentar explicar melhor:

O que acontece na diabetes 2? O corpo não consegue mais metabolizar (digerir, quebrar e utilizar) carboidratos porque há muita insulina InsulinHexamer no sangue, resultante da ingestão contínua, constante, exagerada de carboidratos e açúcares. Com muita insulina no sangue, fica difícil também para o organismo levar outras formas de combustível (as gorduras e as cetonas) para o sangue em quantidade suficiente para alimentar o corpo. Por isso os diabéticos sofrem de cansaço, falta de energia, dores crônicas pelo corpo. Isso acontece porque o corpo está passando fome em nível celular. O combustível não chega onde tem que chegar porque o trânsito está todo congestionado, interrompido, interditado. DA não é diferente, e a forma mais simples de explicar é “o cérebro morrendo de fome”, minguando sem combustível como um passarinho que morre de fome no ninho porque a mãe que foi buscar comidinha morreu no caminho ou foi apreendida por um idiota que está segurando ela numa gaiola. E por que a glicose não chega mais no cérebro? porque tem muita insulina no sangue. A insulina está no sangue para combater o nível de glicose que alcançou taxas altas demais, taxas estas que nós não fomos projetados a suportar. E de tanto a insulina ser convocada de novo, de novo, de novo, todo dia,  a cada 3 horas, a cada hora, ela veio, ficou e não vai mais embora. A insulina não sabe mais o caminho de volta ao normal, ela vicia. Isso se chama insulina resistente.(ISSO ESTÁ CERTO?) E a ciência já provou que quase todos os seres humanos que estão com 10% a mais do peso normal já estão batalhando com os altos índices de insulina, olha só que perigo! Mas isso o seu médico nunca vai lhe dizer. Você quer uma prova de que isso é verdade? Olhe filmes antigos e observe a forma física das pessoas. A população em geral era mais magra. Havia diabetes naquela época? Não! ( se comparado com a epidemia atual). Diabetes era coisa rara!

Desculpa o desvio diabético, mas sem isso ficaria quase impossível passar para a próxima etapa que explica o efeito que a falta de glicose causa no cérebro do paciente de DA.

Temos que entender o que é a Taxa Metabólica Cerebral de Glicose, e eu vou abreviar por TMCG. TMCG, simplificando, é a velocidade em que o cérebro processa a glicose. Se uma pessoa saudável e normal processa glicose a 100km/h, o doente de Alzheimar processa a 65km/h. O problema é que este declínio na velocidade não é percebido até que sinais consideráveis de falta de memória são evidentes e isso significa que a parte do cérebro responsável pela memória já está danificada pela falta de combustível. Como a ciência sabe disso? Tomografias feitas em pessoas com risco de desenvolver DA foram coletadas e estudadas por um longo período.

Outra coisa importante que temos que entender é a beta-amyloid (BA).

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Esta fitinha carnavalesca é o fragmento de uma proteína, e existe no cérebro de todos nós, mas em doentes de Alzheimer elas se enroscam, se acumulam, formam placas e interferem  na comunicação entre as células cerebrais (fica difícil passar um what’s app pra célula vizinha!) Por que estas placas se formam nos acometidos da DA? Porque o organismo não consegue se livrar da BA excessiva. Neste exato momento a máquina fantástica, perfeita, quase mágica  e maravilhosa que é o seu organismo está limpando as BAs excessivas no seu cérebro para que as células possam se comunicar livremente e para que você possa lembrar das informações deste artigo. Se o pessoal da limpeza parar de trabalhar? você vai esquecer até mesmo seu nome. Vale a pena comer tanto doce? fala sério!

Como acontece a limpeza da Beta-Amyloid? Aqui vem a grande cartada! O responsável pela limpeza da BA é uma enzima que vamos chamar de  EDI ( enzima degradante da insulina).

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EDI é encarregada de dois serviços: desmontar, picar e eliminar a insulina e depois, se sobrar tempo, desmontar e limpar a beta-amyloid. Se um organismo está constantemente secretando insulina, a EDI não vai dar conta de chegar lá no cérebro pra limpar a Beta-Amyloid. Quer uma explicação mais simplificada ainda? Você agora é responsável por limpar os oito quartos de uma pequena pousada e também o escritório operacional. Claro que os quartos dos hóspedes têm preferência sempre. Um  dia o dono da pousada resolve expandir e constrói mais doze quartos. Em vez de contratar mais pessoas você é o único responsável pela limpeza dos vinte quartos, além de continuar responsável pela limpeza do escritório operacional. Você nunca mais vai aparecer por lá, vai? O escritório vai afundar na sujeira de tal forma que vai interferir com a operação do hotel.  Pronto, Alzheimer explicado! Solução? não sobrecarregue o responsável pela limpeza porque ele não vai dar conta e a casa vai cair.

Quanto mais insulina no sangue de uma pessoa, mais Beta-Amyloid acumula no cérebro, prejudicando as funções cerebrais. ( Já pensou uma nação com 50% da população diabética? vai faltar piloto, médico, controlador de tráfego aéreo e terrestre, engenheiros, programadores, etc. E a coisa está caminhando pra isso!)

Alimentando um cérebro faminto

Oferecer combustível ao cérebro parece ser o caminho para prevenir e/ou reverter DA, mas isso é possível? e vai funcionar? Me acompanhe: se o cérebro está passando fome porque não consegue processar o carboidrato devido a níveis altos de insulina no sangue, duas medidas devem ser tomadas de imediato: baixar a insulina e  oferecer outra fonte de combustível. Quando carboidrato é reduzido drasticamente o corpo se adapta e passa a usar combustível de gorduras, proteínas (cetonas) e pequenas quantidades de glicose de outras fontes não derivadas de carboidrato. Cetonas são produzidos quando se corta quase todo o carboidrato e os níveis de insulina passam a ser bem baixos. Eles são o produto da reutilização das gorduras armazenadas e das gorduras saturadas ingeridas. Cetonas são muito bem recebidos pelo cérebro, aliás, o cérebro é louco por Cetonas! A única razão porque a “sabedoria científica generalizada” diz que a glicose é o alimento primário do cérebro é porque ela é utilizada primeiro.  Porém, o combustível mais eficiente e seguro para o cérebro é a gordura saturada e a cetona. Na ausência de carboidrato o cérebro pode usar cetonas para 60% da sua necessidade diária de combustível.  Então se cetonas são tão úteis para o cérebro, por que ele não se utiliza deste combustível como forma de alimento principal? Porque cetonas somente são produzidas quando o carboidrato desaparece. Cada pessoa reage diferente à ausência e/ou ingestão de carboidratos, e a produção de cetonas varia em cada  um de nós. Todas as práticas espirituais praticam e promovem o jejum, talvez agora está explicado: durante o jejum o cérebro se alimenta de cetonas, e sendo este o mais formidável combustível para o cérebro a pessoa se sente bem, se sente diferente. Ela experimenta clareza de pensamento,  porque não dizer elevação?

Um caminho em direção à luz

Se DA é de fato mais uma doença da civilização moderna, retornar aos hábitos alimentares ancestrais que promoveram a evolução da nossa espécie, passa a ser um ponto de partida bastante coerente na batalha contra esta condição debilitante. A dieta paleolítica constitui-se de muita proteína animal, gorduras animais, vegetais e frutas abundantes e moderadas quantidade de nozes e sementes. Esta dieta associada à atividade física apropriada, sono adequado, redução de stress, exposição ao ar e Sol para promover o ritmo circadiano natural do nosso corpo certamente oferece promessas de uma vida longa com a insulina equilibrada.

Se a doença de Alzheimer já foi diagnosticada e está no início, é imperativo fazer a transição nutricional imediatamente. Mal não vai fazer! Cortar carboidrato gradativamente até chegar em níveis bem baixos, é a única chance de mudar o canal alimentar do cérebro, de glicose para cetonas, extremamente benéfico para este órgão faminto.

A dieta cetogênica já é conhecida por oferecer benefícios incríveis a pacientes com outras desordens no sistema nervoso central  como epilepsia, e parece muito promissora para pacientes da DA. Inúmeros testes já foram realizados comprovando os resultados de melhora na memória. Você nunca ouviu falar sobre estes testes porque tratar DA com comida boa não dá dinheiro.

Prevenção sempre foi o melhor remédio, e uma dieta composta de alimentos não processados é imperativa para uma vida longa e saudável. Suplementos nutricionais podem sem incorporados na dieta uma vez que os alimentos estão cada vez mais “fracos”em nutrientes devido ao desgaste do solo. Clique aqui para ver a lista sugerida pela autora do livro “The Alzheimer Antidote”, Amy Berger.

Comer coisas deliciosas sem carboidrato ou açúcar é mais fácil do que você imagina, mas requer a sua decisão e compromisso nesta direção. Você vai ter que ir pra cozinha, isso não tem jeito. Então faça deste ritual uma experiência prazerosa. Ouça música que lhe agrada, vista-se de maneira especial, acenda velas, crie um ambiente romântico e aventure-se em livros de receitas. Existem inúmeros livros de receitas cetogênicas e muito mais receitas grátis online. O meu próximo livro vai ser este:

https://www.amazon.com/Sweet-Savory-Fat-Bombs-Delicious/dp/1592337287

(doce em moderação, é claro!)

Comer saudável tem que ser agradável e isso é totalmente possível.

Mais informações sobre Alzheimer aqui: www.Alzheimersantidote.com

 


Meu nome é Cristine e este blog é para você. Ele também representa um novo começo para mim.

Sou apaixonada por saúde, moro na Florida, USA e administro nossa empresa de exportação.
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